Consta que Barbara Cartland escreveu mais de 700 livros, tendo entrado para o livro dos recordes, o Guiness. Alguns livros dela eu gosto muito, outros nem um pouco. Eu comecei a ler esta autora muito, muito jovem, com 9 ou 10 anos e li durante muitos anos. Cheguei a ter mais de 100 livros da mesma, Mas o tempo foi passando, eu comecei outro tipo de leitura, afinal tem leituras muito mais interessantes que ela e a leitura dos livros dela acabou ficando para trás.
Além do mais, eu tinha vergonha de gostar, ou ter gostado dessa autora tão melada e superficial.
Eu sempre fui apaixonada pelas capas dos livros dela, as capas originais são verdadeiras obras de arte, desenhadas por um senhor artista, o Francis Marshall. As capas sempre me atraíram muito e eu quase posso dizer que gostava dos livros por causa das capas. Mas em um dado momento parei de ler por desinteresse e também, admito hoje, por uma certa vergonha.
Mas agora eu tenho quase 50 anos, não tenho mais idade para ter vergonha das minhas leituras, quaisquer que sejam. E aconteceu uma coisa interessante, nesta pandemia eu não consigo ter concentração pra ler nada, Tentei ler muita coisa, em mais de 60 dias, tive muito pouco sucesso. Então, atraída pelos desenhos das capas, por causa dos junk journals, eu voltei a pensar em Barbara Cartland depois de anos. E descobri que os livros dela me acalmam neste período tão ruim. Aí quis buscar informações sobre ela. Descobri que por exemplo, ela escreveu muitos livros antes de começar a escrever os famosos romances históricos. E pensei em fazer uma leitura dela em ordem cronológica. De acordo com os que foram publicados aqui. Eu até vou arriscar qualquer hora a ler os livros dela em inglês, deve ser até bom pra treinar, são livros muito simples. Mas agora nessa pandemia não quero.
Vou seguir uma cronologia. Vou falando dos livros aos poucos.
Excêntrica e açucarada, a inglesa Barbara Cartland é a autora mais traduzida no Brasil
NOVEMBER 11, 2012
Sempre vestindo a mesma cor, a mais prolífica escritora do século XX entrou para o Guinness como vendedora de um bilhão de livros Foto: AFP/18-6-1995
RIO – ‘Aforça do amor”, “Bandido sedutor”, “Coração roubado”, “Amantes no paraíso” ou “Castigo de amor”. Nunca leu nenhum destes livros? Alguém à sua volta já. São todos da inglesa Barbara Cartland, a autora mais traduzida para o português, segundo índice de monitoramento da Unesco, com 324 edições publicadas no Brasil.
Cartland, morta aos 98 anos, em 2000, foi massificada no país por meio de coleções vendidas em bancas e hoje tem sua obra difundida até em ebooks e audiobooks, ganha páginas de admiração nas redes sociais e faz a cabeça de mulheres que sonham com romances envolvendo mansões vitorianas e paixões incandescentes. Mas em tons mais inocentes do que os 50 tons de cinza tornados best-sellers.
Desbancando Agatha Christie
No mundo inteiro, Agatha Christie, Julio Verne e William Shakespeare lideram as listas de obras mais traduzidas. No Brasil, a senhora dos livros é Cartland. Agatha Christie fica em segundo (307 edições), e o escritor de autoajuda Joseph Murphy em terceiro (244).
O autor de renome literário com mais obras traduzidas para o país é Gabriel García Márquez (123), em décimo. Em relação a obras brasileiras traduzidas no mundo, Paulo Coelho lidera (1.030 edições), Jorge Amardo fica em segundo (416) e Leonardo Boff, autor da Teologia da Libertação (298), é o terceiro, de acordo com o Index Translationum, mantido pelo organismo da ONU.
Barbara Cartland escreveu 723 livros, que foram traduzidos para 38 países. O Livro dos Recordes atribuiu a ela os títulos de autora com mais de um bilhão de livros vendidos no mundo e de mais obras escritas em um mesmo ano: 26, em 1985, média de um livro a cada duas semanas.
“Foi a mais prolífica autora do século XX. Ela deixou assombrosos 160 manuscritos não publicados, que decidimos publicar. Estes excitantes novos romances formam ‘The Barbara Cartland Pink Collection’, através do qual minha mãe poderá continuar a levar amor e felicidade para milhões de leitores”, escreveu Ian McCorquodale, seu filho mais velho, responsável pela comercialização de sua obra, no site que leva o nome da autora.
Os romances de Barbara Cartland têm enredos simples, como o de “A força do amor”. Passa-se nos “últimos dias da sociedade vitoriana” (1837-1901), contando a história de Corina, uma “governanta incomum”. “Apesar de pobre, era jovem, linda e tinha, sem dúvida, traquejo social.” Carina sofre até que o amor apareça “com suas asas salvadoras”.
Nas redes sociais, admiradoras dividem seus romances em arquivos baixados gratuitamente sem pagamento de direitos autorais.
— São livros que fazem as mulheres sonhar. Na época da minha mãe, eram considerados coisas de mulher sem vergonha. Eles me fizeram gostar de ler, de escrever — conta Luciana, administradora de um blog que compartilha livros.
A história de Barbara Cartland parece com a de suas personagens. Em seu obituário, o jornal inglês “The Guardian” a chamou de “Rainha do Amor”. Lembrou que ela nascera pobre, mas deslumbrantemente linda. “Pobre eu posso ser, mas comum jamais”, definia-se à época, conforme revelou em uma de suas cinco autobiografias publicadas.
Casou-se com um membro da aristocracia rural e foi para Paris comprar roupas. Lá, apaixonou-se por outro homem, “de forma ruinosa para seu casamento, sua posição social e suas finanças”. “Estava em êxtase, completamente dominada por ele, como só uma mulher estúpida pode ser”, recordou-se. Contou ter recebido 46 propostas de casamento. Aceitou três. As 80 anos, confessou que “nunca gostou de ser tocada”. Teve três filhos.
Biografia de Churchill
Os livros de Barbara Cartland eram ditados, geralmente em sentenças de um só parágrafo. Dedicou-se também a livros infantis, radionovelas e dicas de beleza. Fez biografias de Churchill e Noel Coward. Sua última obra é de 1997 (“Amor, mentiras e casamento”). Garantia que sua longevidade devia-se a 60 pílulas diárias de vitamina.
Vivia numa casa de campo com 12 empregados. Sempre vestida de rosa, nos anos 1990 resolveu escrever o próprio obituário e o enviou aos jornais britânicos. Justificou: “Eu tenho sofrido uma certa quantidade de provocações e às vezes tenho sido ridicularizada pela imprensa.” Era bem-humorada: “Os dois melhores exercícios são fazer amor e dançar. Mas só em um deles é preciso ficar na ponta dos pés.”
Barbara Cartland deixava clara sua ideia de moral: “Você pode manter seu rosto ou seu valor. Aconselho manter o rosto, para o qual as pessoas olham primeiro.”
Como funciona o índice da Unesco
As bibliotecas nacionais enviam à Unesco informações sobre obras traduzidas que recebem das editoras de seus respectivos países. Alguns enviam informações anualmente, outros com bastante atraso. É um panorama incompleto, mas único. Permite uma série de acompanhamentos da cultura mundial.
Entre 1970 e 2011, foram traduzidos mais de 2,1 milhões de títulos no mundo, sendo metade literatura. O sociólogo holandês Johan Heilbron usou o banco de dados para constatar a dominação da língua inglesa no fluxo mundial de livros. As traduções do inglês saltaram de 45% para 59% do total de livros. Entre 2000 e 2011, foram traduzidas no Brasil 3.414 obras, sendo 65% do inglês.
Não é necessário ficar escrevendo a biografia dela, é muito fácil achar dados sobre a vida desta autora pela internet. Só vou deixar aqui um pequeno texto pra constar alguma bibliografia sobre ela.
Barbara Cartland
Escritora britânica, Mary Barbara Hamilton Cartland nasceu a 9 de julho de 1901, em Edgbaston, nas West Midlands. Acontecimentos trágicos tiveram lugar na sua família, o avô de Barbara suicidou-se após ter ido à falência, o pai morreu em combate no último ano da Primeira Grande Guerra, na Flandres.
Barbara Cartland estudou no Malvern Girls College e na Abbey House, em Netley Abbey, instituições para meninas de orientação religiosa. Viúva mas empreendedora, a mãe decidiu-se por abrir o seu próprio negócio na grande capital. Assim, montou uma loja de roupa em Kensington, bairro de Londres onde se situa o Castelo Real, a Oeste de Hyde Park, e onde se podem visitar os museus de Belas-Artes, História Natural e Ciência e Técnica.
Barbara Cartland debruçou-se na escrita do seu primeiro romance aos vinte anos, tentando depois acelerar o seu ritmo ao contribuir para jornais de nomeada como o Daily Express, não obstante contribuindo com colunas de mexericos.
A publicação do seu primeiro romance, Jigsaw, em 1925, veio confirmar a sua vocação e, pela popularidade, apresentá-la ao seu futuro esposo, Alexander George McCorquodale, com quem casou em 1927, tornando-se assim madrasta da Condessa Spencer, por sua vez parente por afinidade da falecida Princesa de Gales, Diana Spencer. Divorciou-se em 1935 para casar com um primo do seu primeiro marido.
Bastante prolifica, gabava-se de poder escrever um livro numa semana. Refletindo os antigos ideais românticos, aristocráticos e colonialistas do Império Britânico, publicou setecentos e vinte e três livros, tendo figurado no Guinness Book of World Records, por ter escrito vinte e seis no ano de 1983.
Como pequena amostra, publicou First Class, Lady? (1935), Yet She Follows (1945), Love Is An Eagle (1951), A Kiss of Silk (1959) e Running Away to Love (1994), chegando a assinar algumas das suas obras com o seu nome de casada, Barbara McCorquodale.
Faleceu na sua luxuosa propriedade nos arredores de Londres a 21 de maio de 2000.
Barbara Cartland in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-05-20 17:19:03]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$barbara-cartland
Quero ler os livros dela em ordem cronológica. Reler, na verdade, pois já li muitos. Parei por muitos anos, mas agora nessa quarentena eu voltei a me interessar, é a única leitura que consigo fazer. Eu sei dos muitos defeitos dela, inclusive sei que nem literatura é. Mas eu me formei lendo os romances açucarados dela e é pra lá que preciso voltar nesse momento, nesse momento incerto e assustador. E nesse período que é como outra adolescência, sem as partes boas. Agora que me aproximo dos 49 anos. E também não é necessário me justificar. Vou ler e pronto e quero um lugar pra organizar estas leituras.
English author of romance novels Barbara Cartland, photographed with her Pekinese dog Twi Twi, in 1977
.Barbara Cartland escreveu 723 livros, que foram traduzidos para 38 países. O Livro dos Recordes atribuiu a ela os títulos de autora com mais de um bilhão de livros vendidos no mundo e de mais obras escritas em um mesmo ano: 26, em 1985, média de um livro a cada duas semanas. “Foi a mais prolífica autora do século XX.